Guerra Assimétrica?

 

Talvez em função de longa experiência pessoal, tenho estudado bastante as guerras assimétricas e publiquei diversos artigos, total ou parcialmente ligados ao tema e até um ensaio em forma de livro.

Digo isso após ler um excelente texto sobre a operação norte-americana na Venezuela, publicado no site "realcleardefense" onde fica a impressão de classificarem a referida operação como guerra assimétrica. 

Tenho dificuldade em aplicar o conceito a essa operação,  a menos que se considere a assimetria entre as duas forças em presença ou o grande desnível de conhecimento e inteligência.

Meu problema é que guerra assimétrica é entre ator estatal e não estatal. Entre forças estatais de desigual poder é isso mesmo: guerra entre forças de capacidade desigual.


O armamento e logística das forças irregulares é ligeiro, adequado à mobilidade forçada. Não é o caso do exército venezuelano. Ponto comum a todas as guerras e tipo de combatente é a crucialidade das informações sobre o terreno e o adversário. 

Neste ponto o exército venezuelano não tinha conhecimento  da movimentação do adversário (apesar deste estar relativamente bem visível) e até perdeu o conhecimento sobre seu próprio terreno, ao deixar cortar a energia elétrica e ter escassas alternativas. Parte de seu equipamento de radar parece que dependia da rede pública. 

A diferença neste contexto esteve na abismal distância de capacidades e mau ( ou nenhum) aproveitamento de vantagens defensivas pelas F.A. da Venezuela. Mas ambos eram atores estatais. 

São só rabiscos rápidos. Creio que uma série de definições vão surgir na sequência desta operação ( em principio, ampliação do modelo usado para matar Bin Laden) e talvez haja revisão de alguns dados até aqui usados sobre guerra assimétrica. 

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