Conjuntura a 3 dias de agosto

 O acordo USA-UE é visto por dirigentes europeus como " perdedor-perdedor" ( ambos os lados perdem). 

Porém, no curto prazo, os europeus perdem muito mais, resultado da sua auto-fragilização nas últimas décadas, em economia, política, armamento, preparação combativa, sistemas de ensino, pesquisa científica. Mentalidade de receber proteção de fora, a qual também deu ( e dá) lugar internamente à mentalidade de assistidos,  por parte de vários membros da própria UE, para os quais os fundos de Bruxelas são o centro de suas perspectivas econômicas. 

Há um ponto em que norte-americanos e europeus estão de acordo: acabar com as imigrações. Acordo nas classes políticas e na maior parte das sociedades. 

Este elemento é capital, pois constitui ponto chave da ideologia trumpista em construção. Pela mesma razão, as exigências políticas de Washington ao Brasil, têm tanta ou mais importância que as ameaças tarifárias.

Na Europa, a Espanha resiste melhor que os outros. Pelo menos tem o PIB em alta de 0,7%. Suas trocas comerciais com os USA representam 5% de seu comércio exterior. Um limite com ensinamentos para outros países: melhor não o ultrapassar. 

A  China tem outro peso e com ela os enviados US têm mais precauções que com a Europa e o Japão. Provavelmente, a trégua entre as duas maiores economias do mundo vai ter mais 90 dias. O Presidente de Taiwan nem teve acordo da Casa Branca para fazer escala em território norte-americano e suspendeu sua deslocação ao exterior. Trump receava efeito negativo sobre Pequim. 

Nestes três dias, o Brasil e empresas norte-americanas interessadas no mercado brasileiro, movem-se para assegurar canais diplomáticos que, no mínimo ( ou será no máximo?) garantam mais tempo para negociar. 

No entanto, o plano de reação brasileiro é essencial: a que nível pode retaliar e que margem de subsídios, estimulos ou linha de crédito extra pode fornecer aos setores nacionais mais atingidos, são definições urgentes. Talvez já estejam listadas, incluindo quebra de patentes US e mais contenção da inflação e desemprego. 

Estrategicamente decisivo nas eventuais negociações é não entregar terras raras, nem as deixar inexploradas. Quer dizer, investimento direto estrangeiro na área é desejável. Que a extração dê lugar a transformação interna, também. As NT constituem um dos elos mais fracos da economia brasileira. 



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