A semana e as ameaças
Quando muita gente da política esperava " calma tarifária " de Trump, cuja agressividade se teria aliviado atacando o Brasil, o líder máximo dos EUA decretou aumentos de 30% sobre produtos mexicanos e europeus. " Parecia perto de Acordo " dizem sobretudo na Europa. Esse é o erro: ir pelo que parece.
Á Europa tem-lhe parecido muita "coisa" e é assim que se deixou encurralar entre duas dependências : segurança militar + comércio com os EUA e energia com a Rússia.
Ao longo de alguns anos diminuiu a da Rússia sem diminuir futuras ameaças. Pagou o esforço de diminuição com choques econômicos que poderia ter evitado.
Agora está perante cenário semelhante com os norte-americanos, inclusive militar com a retirada de efetivos e material por Washington. Economicamente, vem aí outro choque com perda de mais anos.
A UE revela frequentes atrasos e até incapacidade de se antecipar ao problema. Se queixa de russos e norte-americanos, porém, faz um protecionismo revelador de comportamento sobre Acordo com o Mercosul, que seria capaz de introduzir um elemento influente no cenário.
Hoje a UE tem dentro de si uma nova e agressiva corrente política, forte para tomar ou influir seus poderes, com apoio de Trump e Putin.
Se o norte-americano surpreendeu mexicanos e europeus, o russo surpreendeu a Casa Branca aumentando os ataques na Ucrânia. Ao contrário do que Trump afirmava acreditar, o Kremlin não quer paz na Ucrânia, quer rendição desta. Tentou conquistar Kiev no começo e recuou porque a resistência local esteve muito acima do que esperava. Agora tenta retomar o projeto, acreditando na redução do equipamento e munição dos ucranianos.
A guerra da Ucrânia pode ficar mais longa que a segunda guerra mundial. A economia da Rússia suportou bem o choque das sanções lançadas em grande correria pelos " ocidentais ", mas agora, o esforço dessa resistência perde fôlego, até porque a economia russa, à escala do topo mundial, é fraca e com fortes desequilíbrios, como era a soviética que, por isso mesmo, caiu.
O ataque USA ao Brasil tem motivação política. O mundo entendeu e a sociedade brasileira também. Está explícito. O governo brasileiro, em queda de popularidade, ficou feliz. Sobe o apoio popular face a óbvia agressão externa, transmitida em carta com linguagem ameaçadora e frases equivalentes a dar ordens.
A economia do Brasil depende menos dos EUA que a da UE.
Além do objetivo político interno brasileiro, a Casa Branca procura alvejar também os BRICS, agrupamento cuja utilidade nunca vi (só seu banco tem utilidade), para além de ser plataforma de discursos por parte de quem perdeu outras plataformas desse nível. A ameaça de Trump sobre a " linha dos Brics" ( que não existe, há várias lá dentro), porém, leva naturalmente a considerar que ninguém pode deixar os Brics neste momento. Seria rendição.
A China e a Índia têm sérios desafios políticos internos - eleitorais indianos, sobre atitude social chinesa perante as estruturas de poder - sendo suas economias essenciais nas margens de manobra a nível mundial e internamente revelam grande potencial de oportunidades para seus cidadãos.
Já África continua marginal e a viagem a Washington de cinco presidentes africanos revelou um servilismo terrível e cumplicidade. Dois desses presidentes - um dos quais se apresenta como de esquerda - chegaram a apoiar a atribuição do Nobel da Paz a Trump. Os discursos desses cinco presidentes estiveram baseados na disponibilidade do extrativismo, pratica que há séculos mata lentamente aquele sofrido. continente.
É neste quadro geral que estamos neste começo de semana. Pode mudar a qualquer momento.
Não vale a pena apelar a certo tipo de racionalidade, como " EUA e Rússia desrespeitam a ordem internacional". É isso mesmo que eles querem. Também não adianta dizer que a UE poderia se inserir em novo tipo de parcerias. Ela não quer porque seus centros de decisão estão minados por oponentes contrários aos princípios da própria entidade.
O que adianta é preparar resposta que diminua os estragos que vêm aí (os predadores mundiais, com acordos ou sem acordos, pretendem danificar com a intenção obsessiva de incharem seus poderes.
Parte da resposta depende de nós, outra parte está dentro dos países que atacam.




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