Longevidade
Ontem à noite a TV Brasil passou uma maratona Ruy Guerra, um dos maiores cineastas do Brasil, nascido em Moçambique, figura central do cinema novo. Hoje com 94 anos é dos poucos daquela fase, ainda em vida. Uma fase em que conversava muito com ele, com frequência no velho estúdio Líder, em Botafogo ( acho que essa base de trabalho dele fez dele botafoguense; em passagem destacada da maratona na TV Brasil apareceu com a camisa do clube e sublinhou a importância que atribui ao emblema da estrela solitária).
Sou flamenguista que não se incomoda com outras torcidas .
Além de entrevistas e reposição de conversa com Tony Ramos, repassaram filmes do Ruy, um dos quais tive a honra de assistir ao lançamento ( creio que era o mais jovenzinho no público). " Os cafajestes ".
Ao mesmo tempo que via e ouvia Ruy Guerra, pensei em Edgar Morin, sociólogo francês, hoje com 104 anos. Continua a produzir reflexões, a ditar textos para publicação, produto de vida cheia de presenças ativas, desde a resistência na segunda guerra mundial até esta idade ativa.
Nunca falei com Edgar, apesar dele ter lecionado na Escola onde me diplomei em Paris. O primeiro livro dele que li, " Journal de Californie " me entusiasmou muito naquela época de insurreição estudantil mundial. Hoje, vou lendo um extenso trabalho de balanço que ele faz de sua própria trajetória, " Les souvenirs viennent à ma rencontre".
Ruy Guerra e Edgar Morin
são, a nível intelectual, demonstração de longevidade com atividade e lucidez de muito mais gente, menos conhecida ou desconhecida. É um novo quadro em crescimento que aconselha mudar as visões e designações para essa faixa etária.
Não envelheceram no sentido que se dá tradicionalmente e piedoso a essa faixa. Ganharam anos de vida e toda a sociedade ganha com isso.


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