O encontro no Alasca visto do Atlântico Sul
Nenhum acordo sobre a Ucrânia - nem à escala mínima- foi encontrado e os dois Chefes de Estado sabiam isso antes da reunião. Mas ambos precisavam do encontro, por razões distintas:
Putin para demonstrar que falaria com Trump em território norte-americano e lhe diria a mesma coisa que vem dizendo a partir da Rússia, da China ou da Coreia do Norte.
Conseguiu.
Trump precisava demonstrar que avançava nas negociações. Muito pouco para quem prometeu solucionar o conflito de forma quase instantânea. Única " conquista " foi Putin ter acusado Joe Biden ( sem dizer o nome).
Agora vai dizer à Ucrânia e à OTAN que fará novas tentativas. Nesse sentido precisará muito da Ucrânia e dos oeste-europeus mais fortes. A primeira pergunta, desde aqui no Sul, é se ele vai tomar alguma medida econômica para facilitar essas tentativas: abrir espaço para a Rússia ou, no sentido oposto, aumentar as sanções?
Neste ponto uma constatação se impõe: as duas fortes equipes econômicas, que acompanharam seus Presidentes, não deram qualquer sinal de sequer ter entrado em campo.
Assim, o quadro mundial não passou por qualquer alteração e membros dos BRICS, como Brasil e África do Sul, vão continuar "sob fogo" norte americano. Se a opção da Casa Branca for usar a arma econômica como via de pressão sobre o Kremlin, África do Sul e Brasil poderão sofrer ataques tarifários adicionais por serem clientes da Rússia (no caso brasileiro, de fertilizantes). As chamadas " sanções secundárias " que já atingem a Índia.
A União Europeia pode estar relativamente satisfeita porque ganha tempo e a Ucrânia ganhará tempo se tiver apoio militar compatível com linha de resistência.
Quanto aos dois lados do Atlântico Sul, as políticas de reforço interno, material e social, continua sendo a única via para não ficar na dependência de encontros como este.
Muito provavelmente haverão outros, não sendo de excluir que as duas potências envolvidas cheguem a acordo entre elas em vários domínios. Dependermos disso é que parece pouco seguro.

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