América Latina na tempestade

 


Rodrigo Paz foi eleito presidente da Bolívia com dois elementos capitais: o seu vice presidente é Edman Lara, capitão de polícia muito popular em virtude do combate contra a corrupção e a chapa vencedora conquistou grande número de eleitores que antes votavam no MAS ( a esquerda boliviana fez harakiri nos últimos anos ).

O quadro econômico do país é catastrófico, com escassez de varios produtos, incluindo combustível e inflação anual de 25%. Provavelmente, a dupla Paz-Lara vai seguir a rota liberal em economia e manter varios programas sociais ( motivo de obtenção de votos à esquerda). Em política continental deve sair do " bloco bolivariano " e deu indicações de querer reforçar suas relações com os vizinhos diretos e com os EUA.

A descoberta de litio no salar de Uyuni não tem confirmado várias esperanças e só  confirmará se conduzir a transformação local, por exemplo em produção de baterias. Problema geral dos países detentores de minerais críticos. Manter o extrativismo é manter a dependência e as vulnerabilidades sociais e externas

Trump prossegue os ataques no norte da América do Sul e acusou ameaçadoramente o presidente colombiano de envolvimento no tráfico de droga. Calúnia, pois Petro tem estado em constante luta - mesmo antes de ser presidente - não apenas contra o tráfico mas também suas ligações a políticos.

A causa da " raiva " da Casa Branca parece ter alguma relação com a presença de Gustavo Petro em manifestação no mês de setembro em N. Y.

Pressão militar US prossegue nas proximidades da Venezuela, fortemente marcada até aqui por intensa ação psicológica. Um pormenor de redistribuição mundial pode fazer parte desta pressão: Trump não se oporia à política putinista sobre Ucrânia e em troca pretende eliminar regimes hostis na América Latina e Caribe. 


Ao mesmo tempo, Washington investe em seus aliados para mostrar vantagens. Assim, compra pesos argentinos com bilhões de USD, apoiando Millei em dificuldade economico-financeira e eleitoral. Até aqui, esse apoio não alterou o habitual há varios anos: os argentinos que podem, continuam comprando USD por falta de confiança no peso. Aliás, nos EUA os investidores e operadores que podem, compram ouro, por desconfiança sobre a moeda.

Nenhuma política relativa à América Latina pode ignorar o Brasil.  Trump tentou forte pressão sobre a economia e política brasileiras, testando a capacidade e vontade de defesa do  Brasil, que resistiu. Trump recuou e seria sua opção atual  negociar em todos os níveis. 

Digo " seria opção atual" porque pode mudar. Várias de suas declarações apaziguadoras nas semanas anteriores ao anúncio do Prêmio Nobel da Paz, podem não ter mais interesse.

Dentro dos próprios EUA, cinco milhões de pessoas participaram sábado nas manifestações através do país contra Trump (No Kings Day 2) e o governador da Califórnia fez perfil alto no campo democrata, através de muito citada entrevista. 


Comentários

  1. Excelente. Por aqui, sabemos o que acontece e quais ações são engendradas, a partir de associações e/ou entraves institucionais.

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