DESTRUIÇÃO CRIATIVA

 


O equivalente para as Ciências Econômicas do prêmio Nobel foi atribuído este ano a três pesquisadores que trabalham efeitos das inovações tecnológicas. Excelente para todos/as que trabalham as diversas áreas de IT.

São dois norte-americanos : Joel Mokyr ( Northwestern University) e Peter Howit ( Brown); um francês: Philippe Aghion ( College de France).

Excelente também pela formulação teórica que ultimamente tem estado no centro da maioria dos debates sobre crescimento econômico no mundo atual.

Muito sumariamente, essa formulação designada como Destruição Criativa parte do princípio segundo o qual a História Econômica é  um processo de continua inovação tecnológica decorrente do surgimento de novas ideias, incluindo o choque destas com ideias dominantes anteriores. 

Assim, o surgimento de novas propostas tecnológicas gera iniciativas que criam novas áreas de riqueza e, ao mesmo tempo, originam falências de empresas que não se adaptam e desemprego de trabalhadores sem formação para os novos contornos econômicos. 

As novas áreas de riqueza atraem grandes investimentos e aumentam a produtividade.

Este choque e destruições obriga (ou deve obrigar) implementação de políticas públicas de concorrência leal, reciclagem profissional, apoios sociais e/ou em crédito. 

A expressão em si não foi criada pelo trio premiado, já vem de há décadas,  mas foi por eles desenvolvida e aplicada ao contexto atual. 

Sem dúvida, ficar fora do processo de inovação constante só pode conduzir ao atraso. Rejeitar ou dificultar transferência de tecnologia, conduz também a esse resultado ou gera conflitos entre países e entre visões antagônicas dentro de vários deles.

Toda a transição tecnológica tem decorrido sob estas condições.

Um detalhe específico surgido desde 2024 não entrou nos textos premiados, elaborados antes desse ano. É muito provável que os autores já estejam estudando este detalhe desafiante:

- a perspectiva de grandes lucros atrai volumes colossais de capital cuja rentabilidade no curto prazo ( como parece ser desejo dos investidores) é problemática, podendo gerar bolha perigosa. Assim, creio que a noção de equilíbrio no investimento deve fazer parte da discussão, a fim de evitar corridas especulativas decorrentes do atrativo novidade.

Outra parte da discussão: investimento nas IT não impede outros investimentos, pelo contrário, diversifica fontes de renda e reafirma o ponto de partida em qualquer rota de desenvolvimento - educação de qualidade sempre atualizável. 

Vale acrescentar, mesmo sendo repetitivo, o eixo decisivo  de valorizar os recursos naturais de base nas IT. 

No fundo, todas as guerras econômicas atuais giram em torno do avanço tecnológico, seja luta por hegemonia entre países ou formas mais ou menos camufladas de monopólio entre empresas. 


Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Data. Boletim

Vivendo sob ameaças

Socialista vai administrar New York