Os limites do multilateralismo europeu
Após 25 anos de negociações e um bloco recente de alterações e garantias, estava marcada grande cerimônia de assinatura do Acordo Comercial Mercosul-União Europeia, em Foz de Iguaçu, amanhã.
Ontem, a U.E. avisou que adiava sua assinatura. Impossível saber quando a cerimônia terá lugar, se algum dia tiver...
Falam em janeiro, porém, como vemos, essas palavras não tem nenhum valor. Podem mudar 24 horas antes.
A campanha contra o acordo tem sido conduzida pela França ( sucessivos governos), hoje com apoio dos governos da Hungria, Polônia e Itália, conjunto cuja orientação política é conhecida.
O argumento francês refere que os exportadores sul-americanos não obedecem aos mesmos critérios ambientais que os franceses. Foram feitos ajustes e itens inteiros mudados, nem assim aceitaram. A primeira ministra da Itália diz que o acordo é prematuro ( após negociações de 25 anos).
Motivos reais: o voto dos agricultores desses países, cujas agriculturas não são competitivas em relação às sul-americanas. Por outro lado desperdiçam oportunidades industriais e de serviços.
Alemanha, Espanha e países escandinavos querem o acordo, porque têm uma visão integrada das suas economias, são multilaterais, e vêm no acordo um instrumento util contra o ataque tarifario norte-americano.
Aqui está outro problema: há governos europeus que receiam eventual reação da Casa Branca.
Do ponto de vista diplomático, este adiamento em cima da hora, com cerimônia marcada, revela ato de grande desconsideração e até menosprezo. A análise completa desta atitude implica constatar tambem o clima politico em vários países europeus, onde a xenofobia mobiliza em grande escala.
Nestes termos, eles querem mostrar quem manda.
Da nossa parte, insistir na assinatura para além de certos limites é aceitar a condição de subalternos mendigando.


excelente comentario.
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