Xenofobia econômica e insegurança

 


A assinatura do Acordo Mercosul-UE, anunciado em Brasília e Bruxelas para o próximo fim de semana, pode ser adiada mais uma vez. O bem informado jornal parisiense de economia e finanças, " Les Echos", notícia que o governo francês declarou não estar em condições para se pronunciar sobre o texto antes de 2026 ( sem precisar que mês). Países favoráveis ao Acordo,  como Alemanha e Espanha, estão exasperados com a atitude da França, pois consideram o entendimento como parte importante na resistência à ofensiva tarifária de Donald Trump. 

Embora a Cúpula europeia da próxima quinta-feira tenha grande incidência no apoio financeiro à Ucrânia, este assunto deverá também ser abordado, nem que seja nos corredores. 

Paris tem dado vários pretextos. Desta vez é a falta de tempo para estudar o documento. A razão mais plausível, porém,  reside na perspectiva eleitoral com crescimento da extrema direita e seu impacto nos agricultores.

No Chile o impacto da extrema direita vai muito além dos meios rurais. José Antonio Kast foi eleito com perto de 60%, baseado numa campanha de reconfiguração econômica, promessa de expulsar mais de 300 mil imigrantes ( sobretudo venezuelanos e bolivianos) e muita ênfase na segurança pública, fator peso pesado em todo o continente. 

Trump ganha nestes dois tabuleiros: as indecisões europeias e o avanço de seus amigos na América Latina. Perde em outro no qual aposta muito: não consegue acordo Rússia-Ucrânia e os acordos nos países dos Grandes Lagos africanos ou Tailândia-Cambodja foram imediatamente seguidos de novos combates.



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