Como está o mundo, por enquanto

 Os encontros de Davos do Forum Econômico Mundial, em geral, são shows e desfiles, mais concorridos que fashion weeks e com cobertura só suplantada pelos grandes eventos esportivos (nada supera estes). Desta vez é centro de guerra econômica, de intimidação e narrativas. Tudo isto junto. 

Quanto ao discurso de Donald Trump, mostrou algo impensável ainda há poucos meses:  muita agressividade com a Dinamarca e simpatia pela Venezuela.  

Chamou a Dinamarca de ingrata, incapaz de investir e defender a Groenlandia. Disse que não vai usar a força mas exigiu negociações imediatas para integrar esse território nos USA.

Sobre a Venezuela declarou que o governo desta propôs um acordo, exemplo que outros deviam seguir. Acrescentou apreciar muito a cooperação com a Venezuela que, segundo ele, vai ganhar mais nos próximos seis meses que nos últimos 20 anos.

Assim está o mundo, mas não está só assim. 

Por exemplo, o primeiro ministro do Canadá, na mesma tribuna afirmou que potências hegemônicas recorrem à coerção economica e propõe resistência. Frase importante do discurso dele:." se você não faz parte dos que estão à mesa, você faz parte do cardápio". 

E como a coerção pode ir além da economia, uns dias antes as forças armadas do Canadá realizaram mais exercícios e desenvolvimento de cenários para a hipótese de ataque norte-americano, hipótese com diversas variáveis para as quais é essencial ter bases de resposta.



Esta tarde e noite, Trump fala com o chanceler alemão sobre a Groenlandia e com o presidente ucraniano. As possibilidades de resultados ou não resultados nessas conversas tambem são multiplas.

Outro exemplo de como vai o mundo por enquanto: a maioria no Parlamento europeu enviou agressivamente o acordo Mercosul-UE para o Tribunal europeu examinar. Vai demorar lá, volta em seguida ao legislativo em Estrasburgo, a entrada em vigor este ano é duvidosa e é bom pensar em eventuais alterações importantes no texto ou sua rejeição. 

Só mais um exemplo, com dois casos: o governo da República Democrática do Congo enviou a Washington uma lista de minerais - lítio, cobre,cobalto, manganês, ouro - que a Reuters considera "a mais recente oferta direta de Kinshasa a Washington (...) em troca busca investimentos e garantias de segurança pelos EUA ". Por sua vez, a Zâmbia fez acordo com mineradoras chinesas para pagamento de impostos em yuan, sinal de que o pacote de moedas estratégicas aumenta, nas só nas trocas de produtos mas também em fontes de reservas.

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