De Assunção à Groenlandia
O Acordo Mercosul-UE foi assinado na capital paraguaia, no mesmo local onde se assinou a criação de nossa entidade de integração regional. Este acordo transcontinental abrange praticamente todas as pautas aduaneira ( portanto, milhares de itens) com agrupamentos setoriais sobre condições de troca:
Industriais: quase 100% das tarifas eliminadas, desde automóveis a têxteis e medicamentos.
Agro, pecuária e pesca: a) tarifas zero em produtos como café, frutas, óleos vegetais, peixe; b) cotas para itens como carnes, açúcar e etanol; c) facilidades e proteções para bebidas.
Perto de 55% dos produtos (não significando o mesmo percentual em valor absoluto), terão tarifas praticamente zeradas desde a entrada em vigor. Gradualmente assimétrico, ao longo de 12 anos em média, para garantir adaptabilidade de produtos e países.
O Presidente do Paraguai abriu a sessão sublinhando as oportunidades que o acordo suscita. Sem citar Trump, a presidente da Comissão Europeia disse que a visão deste acordo é " fazer comércio justo e não tarifas". O presidente uruguaio, Yamandú Orsi classificou a importância do acordo, não apenas por constituir a maior área de livre comércio do mundo, mas por apostar nas regras em tempo de volatilidades.
Os parlamentos dos quatro fundadores do Mercosul (a Bolívia ainda tem a adesão ao bloco em fase de conclusão, equanto o Panamá, cujo presidente esteve na cerimônia, é membro associado) e o Parlamento europeu ( instalado em Estrasburgo) têm de ratificar o acordo para entrada em vigor. Na instituição europeia a previsão é de confrontos muito duros.
Ainda os ecos de Assunção não tinham baixado, quando Donald Trump anunciou alta nas suas tarifas contra europeus opostos às intenções USA sobre a Groenlandia. Nos últimos dias alguns países da Europa anunciaram preparativos para exercícios militares com envio de tropas à Groenlandia. As novas tarifas da Casa Branca são de 25% em junho, acrescentadas às já anunciadas 10% de fevereiro.
Países visados: Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Noruega, Suécia, Países Baixos e Reino Unido.
No imediato, minha percepção é de que a ratificação do Acordo Mercosul-UE e o expansionismo territorial (Groenlandia é só uma parte visível do iceberg), são guerra prolongada. No sentido figurado quase sempre, mas riscos no sentido literal também existentes.


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