Primeiras reflexões sobre a venda da Serra Verde
A aquisição da empresa Serra Verde ( de base extrativa em Goiás) pela US Rare Earth é, tecnicamente, o que se designa no mercado financeiro, por fusão. Neste caso a USRE prevê aplicar 2,8 bi de USD na compra daquela empresa brasileira, sendo parte em cash, parte em ações da empresa compradora atribuídas aos atuais proprietários da Serra Verde. Não tenho dados sobre nenhum dos dois montantes, indispensáveis para avaliar ganhos.
Indicações de mídia, referem que toda a produção será exportada para os EUA. Se fosse outro tipo de produto, isso representava garantia de mercado. No frenético mercado das " terras raras" essa garantia é desnecessária. Além dos EUA, são grandes compradores China, Japão, Coreia do Sul, França e Alemanha, . Os preços oscilam consoante os momentos e os contratos.
Em ligação com este ponto, surge naturalmente outro: que nível de transferência de tecnologia poderemos prever?
A produção da Serra Verde para 2027 tem previsões (sujeitas a confirmação) de 6.500 toneladas. Não é minério bruto, já passa por fase inicial de beneficiação, com tratamento primário que as transforma em TREO (Total Rare Earths Oxide). Os 15 anos de contrato só terão efeito de desenvolvimento se:
a transformação local se completar;
o desenvolvimento das IT no Brasil puder reorientar internamente essa produção.
Partimos do princípio de que ninguém perde o emprego, a expansão incluirá o mercado de trabalho brasileiro em todos os graus e os impostos serão compatíveis com o valor do produto.
Qualquer que seja o posicionamento político dos contratantes, em caso de situação extrema nas relações EUA- Brasil, a capacidade brasileira de defesa aumenta, podendo, no exercício de soberania, suspender as exportações, intervindo na empresa.
A independência do Brasil em " terras raras" está ligada a futuros contratos, com outros investimentos, em outras localizações, diversificação de destinos de exportação e, repetimos, o aumento da capacidade nacional de transformação. Mesmo com primeira fase dessa transformação, continuaremos no extrativismo, portanto, dependentes.
Este contrato foi precedido por um memorando de entendimento entre o atual governador de Goiás e o " governo norte-americano ". É importante saber o conteúdo desta designação genérica: membro do governo federal USA, algum governo estadual ou simples agência federal?
Este tipo de memorando não serve de muito do ponto de vista contratual. É formalidade diplomática, podendo, porém, servir politicamente. O governador Caiado é pré candidato presidencial.
Aqui é possível constatar um dado curioso: o governo federal não está inclinado para criação de empresa estatal no setor; o governador goiano, que segue os princípios de mercado liberal, deixa imagem de intervir num negócio específico.
Assunto de prováveis grandes debates na próxima campanha eleitoral e prováveis novos contratos de " terras raras" brasileiras.
Por mim são apenas anotações iniciais.

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