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Data. Boletim

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  União Europeia e Índia assinaram acordo comercial, classificado de alto valor geoeconomico e geopolítico. Comparando com os obstáculos ao Acordo Mercosul-UE, podemos considerar: -varios governos e forças políticas europeias vêm a Índia com mais peso político-econômico que a América do Sul; o número de grandes contratos já existentes entre as duas partes é elevado; o Reino Unido,  que está fora da UE mas é europeu, já tem Acordo com a India; a produção agrícola indiana é largamente absorvida pelas necessidades do mercado interno. Sobre o Mercosul-UE, a Alemanha trabalha para entrada em vigor provisoriamente e a França se opõe.  Nos EUA, o prefeito de Mineapolis ( Minnesota), Jacob Frey, resiste às exigências de Trump. Nem ajuda a expulsar estrangeiros, nem aceita " vistoria" dos registros eleitorais e quer a retirada do ICE. A cidade e sua gêmea St. Pauli vivem clima de cerco e vão se transformando em símbolo de resistência. Frey também.  Localização do estado do Mi...

Armazenar Energia: leilão crucial em abril

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O evento pretende aumentar a capacidade  de BESS (sistema de armazenamento de energia por baterias) para inserção no Sistema Integrado Nacional (SIN), diminuindo o recurso a centrais térmicas nas horas de maior consumo. Aguardada forte presença de empresas concorrentes, em maioria internacionais (destaque provável para as chinesas) e algumas nacionais ( individualmente ou em joint). Este leilão é notícia na mídia mundial de economia ( destaque Bloomberg). O objetivo é obter um conjunto de projetos, com conclusão prevista até 2028, com capacidade para 8 GWh e entrega de 2 GWh, portanto 4 horas de fornecimento. Aproximadamente o dobro do BESS no Brasil, em estimativa de 2025. As unidade concorrentes devem ter capacidade mínima de 30 MW, assegurar as referidas 4 horas, recarga em seis horas e tempo de vida 10 anos. Hoje as maiores unidades de armazenamento por bateria no país estão na ordem dos 60 MWh. A maior do mundo, em construção na Índia, vai até 3.500 MWh de capacidade com potên...

Como está o mundo, por enquanto

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 Os encontros de Davos do Forum Econômico Mundial, em geral, são shows e desfiles, mais concorridos que fashion weeks e com cobertura só suplantada pelos grandes eventos esportivos (nada supera estes). Desta vez é centro de guerra econômica, de intimidação e narrativas. Tudo isto junto.  Quanto ao discurso de Donald Trump, mostrou algo impensável ainda há poucos meses:  muita agressividade com a Dinamarca e simpatia pela Venezuela.   Chamou a Dinamarca de ingrata, incapaz de investir e defender a Groenlandia. Disse que não vai usar a força mas exigiu negociações imediatas para integrar esse território nos USA. Sobre a Venezuela declarou que o governo desta propôs um acordo, exemplo que outros deviam seguir. Acrescentou apreciar muito a cooperação com a Venezuela que, segundo ele, vai ganhar mais nos próximos seis meses que nos últimos 20 anos. Assim está o mundo, mas não está só assim.  Por exemplo, o primeiro ministro do Canadá, na mesma tribuna afirmou qu...

De Assunção à Groenlandia

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O Acordo Mercosul-UE foi assinado na capital paraguaia, no mesmo local onde se assinou a criação de nossa entidade de integração regional. Este acordo transcontinental abrange praticamente todas as pautas aduaneira ( portanto, milhares de itens) com agrupamentos setoriais sobre condições de troca:  Industriais: quase 100% das tarifas eliminadas, desde automóveis a têxteis e medicamentos.  Agro, pecuária e pesca: a) tarifas zero em produtos como café, frutas, óleos vegetais, peixe; b) cotas para itens como carnes, açúcar e etanol; c) facilidades e proteções para bebidas.  Perto de 55% dos produtos (não significando o mesmo percentual em valor absoluto), terão tarifas praticamente zeradas desde a entrada em vigor. Gradualmente  assimétrico,  ao longo de 12 anos em média, para garantir adaptabilidade de produtos e países.  O Presidente do Paraguai abriu a sessão sublinhando as oportunidades que o acordo suscita. Sem citar Trump, a presidente da  Comissão ...

Chutes muito para o alto e boas jogadas

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A líder oposicionista da Venezuela, Corina Machado,  passou seu prêmio Nobel da Paz para Donald Trump. A Academia, claro, lembrou que o Prêmio não é transferível. Assim, ela entregou o tradicional diploma com o nome dela? Também entregou o cheque com o valor monetário  do Prêmio ? Ao mesmo tempo, Marco Rubio e Delcy Rodriguez vão se entendendo. A Presidência venezuelana anunciou a criação de Fundos para  receitas petrolíferas e nova lei sobre recursos energéticos. Vão se entendendo até certo ponto.  O princípio da privatização e supremacia das empresas USA está garantido (a nova lei deve garantir o primeiro ponto), porém, sobre a entrada empresarial USA é princípio ainda não garantido na prática, porque a grande maioria das petrolíferas US não parece muito entudiasmada: ou joga para obter subsídio governamental ou acha o petróleo venezuelano das reservas muito caro de extrair. Também ao mesmo tempo, o primeiro ministro do Canadá, Mark Carney, está em Pequim para faze...

Altas tensões

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  Economia  O encontro dos membros da União Europeia sobre Acordo com Mercosul foi nesse clima. Oposição agressiva de interesses e de visão do impacto geoeconômico atual. A maioria, conduzida pela Alemanha, Espanha e Escandinavos, fortemente favorável à assinatura do Acordo. França, Hungria, Polônia,  Irlanda e Áustria contra. Bélgica abstenção. A Itália mudou de posição e votou a favor.  Ainda não está acertado se o texto aprovado requer votação do Parlamento europeu na totalidade. Se for preciso, a previsão geral é de pequena maioria favorável.  No entanto, a presidente da Comissão Europeia prevê deslocação à capital paraguaia para assinatura com o Mercosul, dia 17 do corrente. Em seguida o acordo será submetido a ratificação pelos Parlamentos de todos os países envolvidos, entrando em vigor a partir de um certo número.  A oposição francesa é motivada por pressão de seus agricultores que receiam concorrência sul-americana. Uma pesquisadora francesa do Ins...

Guerra Assimétrica?

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  Talvez em função de longa experiência pessoal, tenho estudado bastante as guerras assimétricas e publiquei diversos artigos, total ou parcialmente ligados ao tema e até um ensaio em forma de livro. Digo isso após ler um excelente texto sobre a operação norte-americana na Venezuela, publicado no site "realcleardefense" onde fica a impressão de classificarem a referida operação como guerra assimétrica.  Tenho dificuldade em aplicar o conceito a essa operação,  a menos que se considere a assimetria entre as duas forças em presença ou o grande desnível de conhecimento e inteligência. Meu problema é que guerra assimétrica é entre ator estatal e não estatal. Entre forças estatais de desigual poder é isso mesmo: guerra entre forças de capacidade desigual. O armamento e logística das forças irregulares é ligeiro, adequado à mobilidade forçada. Não é o caso do exército venezuelano. Ponto comum a todas as guerras e tipo de combatente é a crucialidade das informações sobre o terre...